quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Fetos chutam tumor de útero e salvam a vida da mãe

PARA REFLETIR->Britânica ficou curada de câncer depois que fetos deslocaram tumor com chutes (Da BBC)

Uma britânica que descobriu um câncer durante a gravidez foi salva pelos chutes dos fetos, que expulsaram parte do tumor. Michelle Stepney, de 35 anos, estava grávida de gêmeas quando foi levada para o hospital com um sangramento. No início, os médicos suspeitaram de um aborto, mas logo descobriram que ela estava com câncer cervical e que acabara de expelir um pedaço do tumor do colo do útero.

"Eu não poderia imaginar que os chutes que eu sentia seriam tão importantes. Eu mal pude acreditar quando os médicos disseram que os movimentos tinham expulsado o tumor", diz Michelle. Os oncologistas sugeriram que ela fizesse quimioterapia e retirasse o útero para remover o câncer por completo, o que significaria o fim da gravidez.

Michelle conta que, depois de muito refletir, decidiu seguir em frente com a gestação e foi submetida a doses limitadas de quimioterapia, aplicadas a cada 15 dias.
As gêmeas, Alice e Harriet, nasceram na 33ª semana de gravidez de cesariana. As meninas estavam em perfeito estado de saúde, mas nasceram sem cabelo por causa dos efeitos da quimioterapia.

Quatro semanas depois do parto, Michelle foi submetida a uma cirurgia para retirada do tumor e do útero. Os médicos acreditam que ela esteja curada.
A britânica disse que deve "a vida às filhas".
No dia 12 de fevereiro, Michelle receberá o prêmio "Mulher de Coragem" do Cancer Research UK, um centro na Grã-Bretanha dedicado a pesquisas sobre o câncer.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Morto integrante do cacuriá da Dona Teté

Na madrugada de domingo, o ator e dançarino, Carlos Negão(companheiro do LABORARTE) foi assassinado com três tiros por um policial militar afastado desde de 2005, Edilson Carlos Cutrim Jr. (filho de um coronel reformado e sobrinho do Raimundo Cutrim).

A indigação pesa pela possibilidade de impunidade existente! Estamos em alerta para qualquer que seja a possibilidade que este homem tenha de se livrar de uma pena digna de seu crime!
Mais uma vez nossa ilha é cenário de vilencia policial! Em menos de uma ano três casos de figuras conhecidas abalaram a ilha e sabe-se lá quantos não ficaram ocultos pelas periferias de nossa cidade.

É preciso lutar contra a violencia policial, policia esta aqui é para nos dá segurança e não insegurança!! E que seja filho de Lula, de Sarney, de Jackson, de Bush, de Cutrim ou de quem quer que seja, ninguém tem o direito de tirar a vida de alguém e se age dessa forma deve ser punido como qualquer outro seria.

'Precisamos sair às ruas por que a cada dia a violência se aproxima ainda mais da nossa porta!' Por volta de agosto do ano passado estava eu em uma manifestação contra a violencia policial feita pelos professores, alunos e familiares do prof Flavio, quando ouvi um professor meu dizer tal frase que no momento me tocou, mas que não foi nada que passa-se daquele momento e em menos de um ano Carlos Negão é vítima desse mesmo tipo de violencia!
(...)
É triste nos vermos diante de tanto conformismos! No ano passado foi lançado aquele 'Tropa de Elite' que só trouxe mais uma vez a confirmação de nossa conformação com a violencia contra a periferia, contra pretos, contra pobres! Onde estamos e pra onde vamos assim?? 'Que país é esse??'

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Jornal O Quarto Poder entrevista Amanda Dutra


SEGUE a entrevista que essa humilde blogueira
deu ao jornal impresso a respeito dos "Jovens Vigilantes"
Udes Filho - Quando surgiu o grupo Jovens Vigilantes?
Amanda Dutra - Os jovens vigilantes sempre existiram, pois são aquelas pessoas que não fecham os olhos para os problemas e tentam realmente fazer algo para melhorar. O que fizemos foi juntar esses jovens em um grupo que recebeu o nome de Jovens Vigilantes no final do ano de 2006 em meio a passeatas estudantis e discussões políticas.
Udes Filho - Quantas pessoas, aproximadamente, fazem parte deste grupo?
Amanda Dutra - Como temos simpatizantes em vários municípios não há um número exato, mas só na comunidade do orkut “jovens vigilantes” temos 178 membros. Na lista de discussão no yahoo somos 30 pessoas.
Udes Filho - Há quanto tempo você comanda o grupo?
Amanda Dutra - O grupo não tem comandante nem comandados, o que ocorre é que há pessoas que estão desde a fundação (como eu), as que são mais ativas, etc. É importante deixar claro o caráter horizontal e participativo dos JV.
Udes Filho - O que motivou a criação do Jovens Vigilantes?
Amanda Dutra - Dizem que depois da tempestade vem à bonança, mas nós não queremos a calmaria, a passividade. Depois do clímax: da volta da manifestações/passeatas políticas nas ruas, não queríamos deixar essa chama, esse grito morrer. Os jovens vigilantes surgiu do medo de dispersarmos e perdermos a oportunidade de aglutinar tanta gente qualificada. Sabíamos que não estávamos atrás de fins eleitoreiros, não era apenas a derrota de Roseana, não glorificamos Jackson e por isso queríamos continuar atentos e ativos.
Udes Filho - O Jovens Vigilantes é ligado a algum partido político?
Amanda Dutra - De forma alguma temos ligação e financiamento político-partidário, recusamos e repudiamos essa prática infelizmente exercida por algumas entidades que dizem representar a juventude. Não queremos padrinhos, nem coronéis, nem amarras.
Udes Filho - Algumas pessoas acusam o grupo Jovens Vigilantes de ser manipulado pelo PDT. Qual é sua posição a respeito de comentários como este?
Amanda Dutra - Comentários sem fundamento. O que acontece é que, como muitos de nós, participaram da organização das passeatas contra a oligarquia Sarney, alguns devem erroneamente pensar que somos pedetistas; pelo contrário, surgimos justamente com o intuito de continuarmos vigilantes com que quer que esteja no poder, não vamos baixar a cabeça nem sermos manipulados por nenhuma sigla partidária.
Udes Filho - Qual a mais importante ação do grupo?
Amanda Dutra - Na fundação do grupo tínhamos como primeiras bandeiras: a democratização dos meios de comunicação, a questão ambiental (siderúrgica, área Itaqui-Bacanga,..) e as passagens intermunicipais. Conseguimos algumas vitórias e importantes inserções nos espaços onde esses temas eram discutidos. Todas as ações são importantes, posso falar, então, da mais atual: o passe livre. Após meses de reuniões com vários segmentos (estudantes, professores, pais, escolas,...) organizamos a 1ª passeata (26 de outubro) que teve a participação de 7 municípios do MA e intensa cobertura da mídia. O direito a não pagar a tarifa do ônibus já é realidade em várias cidades brasileiras, e continuaremos reivindicando essa política simples de incentivo à educação. Conseguimos vários apoios voluntários importantes, como:diretores de escolas, promotores da justiça, jornalistas, secretários do governo, deputados, lideres comunitários; enfim, 2008 promete e eu convido a todos a participarem da construção do movimento passe livre.
Udes Filho - Sendo você a representante de um grupo jovem e politizado, eu pergunto: A Secretaria da Juventude tem feito algo de bom para os jovens maranhenses?Amanda Dutra - Quem fez “algo de bom” foi o governador Jackson Lago quando criou a secretaria da juventude (sem orçamento próprio, mas a tirou do papel). A secretaria ainda está devendo muito, nós que compomos a juventude do estado temos o direito de ter muitas expectativas para essa pasta, chega de pensar a juventude como o futuro e não fazer planos de ação no presente. Não queremos migalhas pontuais e assistencialistas, nós exigimos políticas públicas efetivas e contínuas para os jovens do Maranhão.
Udes Filho - Para o grupo Jovens Vigilantes, o que falta ser feito pelo governo para melhorar a situação da juventude em nosso Estado?
Amanda Dutra - Muito, muito deve ser feito. Não queremos só palestras (eu as adoro), mas se não vierem acompanhadas da prática e do cuidado cotidiano com a juventude, ela vai padecer como há muito tempo é marginalizada nesse estado. No começo de 2008 teremos as conferências municipais, estadual e nacional da juventude. As diversas secretarias do governo (Juventude, Educação, Esporte, Cultura, Ciência e Tecnologia, etc.) devem fazer esforços para construção de ações conjuntas que supram as diversas necessidades do segmento juvenil que corresponde a aproximadamente 30% da população do MA.

Fonte: O Quarto Poder.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Intervenção policial na UEMA em Imperatriz

Reproduzo um depoimento que recebi por e-mail de alunos da UEMA, em Imperatriz. Contra a intervenção policial, aparentemente sem justos motivos, com agressão a estudantes e professores, durante uma calourada.Transcrevo na íntergra a versão desses estudantes:

"POR UMA POLÍCIA (REALMENTE) CIDADÃ"

Os estudantes, professores e servidores do Centro de Estudos Superiores de Imperatriz, Universidade Estadual do Maranhão – UEMA manifestam o seu repúdio às arbitrariedades cometidas por membros da Polícia Militar em Imperatriz na última semana.
Esta instituição, que tem por missão garantir a segurança da sociedade dentro das normas legais, e que já se encontrava sob a acusação de abuso de autoridade no espancamento injusto de um mendigo, escreveu na madrugada de 18 para 19 de janeiro mais uma página obtusa de sua história. Em uma situação de evidente violação dos direitos e garantias individuais previstos na legislação do País, policiais invadiram propriedade privada sem mandado judicial e na inexistência de quaisquer motivações previstas na norma constitucional após o término da Calourada 2008.
A festa fora realizada em plena conformidade com a legislação vigente, contando com as autorizações dos órgãos competentes. Não ocorreram brigas ou confusões durante o evento e os participantes que ainda encontravam-se no local ajudavam a desmontar a estrutura e aguardavam o término da chuva que ainda caía. Os policiais militares invadiram o local em que a Calourada fora realizada, agrediram – verbal, moral e fisicamente – vários alunos e, inclusive, um professor. Os policiais humilharam o Prof. Siney Ferraz e levaram-no preso, juntamente com um estudante, sob a acusação [injusta] de desacato à autoridade.
Além de tudo isso já relatado, os policiais militares chamaram reforços, bloquearam o acesso à Delegacia Regional de Imperatriz com viaturas e, com o apoio de policiais civis, ameaçaram com armas em punho e agrediram os estudantes que tentavam denunciar o abuso de autoridade – inclusive causando prejuízos materiais (danificação de patrimônio privado). A situação resolveu-se apenas com a chegada do Prof. Expedito Barroso, diretor do CESI-UEMA, quando o Prof. Siney Ferraz e o estudante que haviam sido detidos foram liberados.
O governo do Estado do Maranhão apregoa aos quatro ventos o pioneirismo na implantação da Secretaria de Segurança Cidadã e o histórico incremento no efetivo policial, informatização das delegacias e aparelhamento das forças de segurança pública. Onde está a “segurança cidadã” quando as instituições que deveriam garanti-la violam os direitos fundamentais do homem, do cidadão? De que servem os computadores que modernizam as delegacias de polícia do Estado se as instituições policiais vetam o acesso do cidadão aos mesmos para denunciar a violação de sua dignidade? Qual a utilidade de viaturas e armamentos novos se os mesmos são utilizados em prejuízo da sociedade? Qual a função de mil novos policiais se estes são treinados para reproduzir cenas de violência gratuita exibidas nos cinemas? A barbárie promovida pelo aparelho do Estado é um fato deplorável, digno do repúdio e da condenação da sociedade.
A Comunidade Acadêmica do CESI-UEMA manifesta sua indignação diante de tamanho ultraje a que foram submetidos seus membros pelo efetivo policial e convoca a sociedade civil de Imperatriz a exigir resposta aos abusos cometidos em nossa cidade. A polícia militar deve garantir a segurança dos cidadãos, não agredi-los covardemente; deve garantir o cumprimento das leis, não rasgá-las com as próprias mãos!
Estudantes, professores e servidores do Centro de Estudos Superiores de Imperatriz – CESI/UEMA exigem a garantia real da SEGURANÇA e do livre exercício de sua CIDADANIA, de seus DIREITOS, na forma da legislação vigente neste País, que se julga democrático. Queremos viver numa DEMOCRACIA de fato, não num episódio de filmes policiais.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

VI Seminário Mídia, Infância e Adolescência no Maranhão

Confira a programação completa do VI Seminário Mídia, Infância e Adolescência no
Maranhão que tem como tema: A Formação do Comunicador e os Direitos Humanos
de Crianças e Adolescentes – Novas perspectivas .

Data: 22, 23 e 24 de janeiro
Local: Auditório da Procuradoria Geral do Estado (Rua Oswaldo Cruz, 1396 – Centro)

Programação


Dia 22 de janeiro – Terça-feira

17:30h – Credenciamento

18:00h – Café de chegada e recepção cultural - Centro de Cultura Negra

19:00h – Mesa de diálogo "O papel da universidade na formação dos comunicadores para abordar temas de direitos humanos", com:

Evandro Vieira Ouriques - Professor da UFRJ e coordenador do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON/ECO/UFRJ.
Lissandra Leite – Jornalista, coordenadora de projetos da Agência de Notícias da Infância Matraca.
Representante da Ufma
Adalberto Melo – Jornalista Amigo da Criança, radialista e professor, representante da Faculdade São Luís.
20:00h – Debate

Dia 23 de janeiro – Quarta-feira

09:00h às 12:00h – Oficinas (20 vagas cada) – Local: Faculdade São Luís
(a) Criando Blogs – Vai discutir a utilização dos blogs como instrumento de comunicação acessível e de grande eficácia.
b. Público: adolescentes e jovens de 15 a 25 anos.

(b) Assessor de comunicação – agente da transformação social – Vai discutir o papel do assessor dentro das organizações como um agente de transformação
a. Instrutora: Amarílis Cardoso
b. Público: estudantes e profissionais de comunicação com interesse na área de assessoria de comunicação.
(c) Comunicação, Consciência e Cobertura de Políticas Sociais
a. Instrutor: Evandro Ouriques
b. Público: estudantes e profissionais de comunicação com interesse em políticas sociais.

16:00h às 18:00h – Mostra Geração Futura – Filmes produzidos por adolescentes e jovens na Oficina Geração Futura, durante o Festival de Audiovisual Maranhão na Tela.

18:00h – Café de chegada e recepção cultural - Tambor de Crioula do Centro Comunitário, Cultural e Eclesial de Vila Passos.

19:00h – Mesa de diálogo "Continuando a formação após a universidade", com:

Edvânia Kátia - Jornalista, integrante do Departamento de Relações Institucionais da Fenaj.
Paulo Lima - jornalista responsável pelo Projeto/Revista Viração .
Bia Barbosa – Jornalista, editora de Direitos Humanos Agência de Notícias Carta Maior, membro do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social.
Dia 24 de janeiro – Quinta-feira

09:00h às 12:00h – Oficinas

(a) Criando Blogs – Parte II
(b) Assessor de Comunicação – agente da transformação social – Parte II
(c) Núcleo Virajovem – Vai discutir a participação de jovens na produção de conteúdos editoriais e o fortalecimento do Núcleo Virajovem no Maranhão
c. Instrutor: Paulo Lima
d. Público: adolescentes e jovens de 12 a 29 anos que já integrem ou queiram integrar o núcleo da Revista Viração no Maranhão.

16:00h às 18:00h – Painel de Planos de Comunicação – Alunos do Curso Direitos Humanos e Comunicação apresentam suas experiências como estagiários do Projeto Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes – Difundir pra Respeitar, bem como os planos de comunicação construídos em seis ong's e no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA – São Luís.

18:00h – Café de chegada e recepção cultural – Banda de Lata do Grupo de Dança Afro Malungos

19:00h – Mesa de diálogo "Alternativas de formação em comunicação e direitos humanos", com:

Edgar Patrício – Jornalista da Universidade Federal do Ceará, Coordenador da ONG Catavento - Comunicação e Educação Ambiental e Doutor em Educação.
Vera Salles – Jornalista, professora da Universidade Federal do Maranhão, representante da Aliança Internacional de Jornalistas.
Fernanda Sucupira – Jornalista da editoria de Direitos Humanos e Educação da Agência Carta Maior. Jornalista Amigo da Criança em 2005. Editora da Direitos da Criança e do Adolescente do site Repórter Brasil.
Realização: Agência de Notícias da Infância Matraca, Foundation Terre des hommes, Rede Amiga da Criança e Unicef

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

25 anos sem Garrincha

O BLOG JORNALISTA DO SOL não pode ficar sem homenagear um dos mais espetaculares jogadores de futebol que já existiu: Garrincha! O futebol-arte ficou imortalizado pelo"Anjo das Pernas Tortas", no entanto foi derrotado pelo alcoolismo e morreu na miséria há 25 anos no Rio de Janeiro.

Garrincha foi um dos maiores ídolos da história do Botafogo, clube pelo qual atuou por 12 anos e conquistou três Campeonatos Cariocas e dois Torneios Rio-São Paulo, e da Seleção Brasileira, quando foi bicampeão do mundo em 1958, na Suécia, e 1962, no Chile.

Apelidos foram vários: "Anjo das Pernas Tortas", numa poesia de Vinícius de Morais; e "Alegria do Povo", expressão eternizada na Copa do Mundo de 1962. Por sinal, Garrincha foi um apelido dado pela irmã, em alusão a um passarinho comum em Petrópolis, próximo de sua terra natal, Pau Grande, distrito de Magé (RJ).

SAIBA MAIS EM: http://msn.lancenet.com.br/hotsite/garrincha/biografia.stm



sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

RELATO de quem já foi pego pelos famigerados mosquitos

Engraçado e esclarecedor, não deixe de ler esse depoimento de um
jornalista
sobre os casos recentes de febre amarela silvestre que apareceram na
mídia.

fonte: Sakamotofonte:http://blogdosakamoto.blig.ig.com.br/


Minhas malárias e a febre amarela dos outros

Eu não dou muita sorte com mosquitos.Peguei minha primeira malária em 1998, quando cobri a guerra pela independência de Timor Leste. Tinha recebido autorização para passar uns dias em um acampamento da guerrilha na selva e lá devo ter sido mordido pela primeira vez. Comecei a passar muito mal ainda em Timor e fiz a pior viagem de avião da minha vida entre Jacarta e São Paulo. Febre alta, enjôo, longas diarrééééééééias, sensação de ter tomado cacetada nas juntas por parte da polícia militar na saída de estádio de futebol.

Chegando no Brasil, uma longa internação, com os olhos tingidos de cor-de-ovo-de- galinha-caipira, perda de peso, fora os delírios e a freqüente visita de estudantes de enfermagem para poder conhecer, vejam só, um caso avançado da doença. Tudo coroado pelos efeitos do quinino na vida sexual – ainda que temporários, frisemos. No ano seguinte, durante a cobertura da guerra civil angolana, peguei a dita de novo. E de novo o maldito plasmódio falciparum – bicho ruim, ave do tinhoso, coisa do tranca-rua – que dos tipos de malária é o que mata mais rápido e ligeiro.

Pelos cálculos, devo ter pego a pereba em Calulo, província de Cuanza Sul, quando visitava uns campos de refugiados. Considerando que lá é terra da famigerada mosca tsé-tsé, aquela sirigaita que causa a doença do sono, até que fiquei no lucro só com a febre terçã maligna. Lembrando da experiência agradável do ano anterior, resolvi voltar para o Brasil mais cedo a ter que ficar mais uma semana nos belos hospitais de Angola.Além do mosquito da malária, também conheci o da dengue, doença que peguei no interior da bela e dura Paraíba durante uma reportagem. Como não era da hemorrágica (não se enganem, dá para pegar essa na primeira vez e não só na reincidência) , foi mais tranqüilo. O Tylenol virou meu melhor amigo por uma semana. OK, houve outras perebas, mas paro por aqui para não estragar o dia de ninguém.

Toquei nesse assunto por causa dos casos recentes de febre amarela silvestre que apareceram na mídia. Estou com minha vacina em dia (os 10 anos de validade só vencem em julho deste ano) e confio no doutor Drauzio Varella, que avalia que não há um surto e não risco para as áreas urbanas. Ou seja, a febre amarela sempre existiu no país. E a dengue. E a malária. E uma série de outras ligadas a falta de saneamento básico.Só como exemplo: Cerca de dois milhões de pessoas morrem anualmente no mundo por causa da malária e outros 300 milhões pegam a doença – a quase totalidade oriundos de países ou regiões pobres do planeta. É claro que a relação de Casos letais/Investimento em cura é maior nas doenças que acometem a parte rica da população do que a parte pobre. A pesquisa para a busca da cura do câncer recebe muito mais que pesquisas para doenças causadas por parasitas que afetam multidões.

Como diriam: é a economia, estúpido!) Além disso, quando uma pessoa que tem acesso a recursos privados de saúde, como eu ou o doutor Drauzio (que pegou febre amarela e narrou a experiência no belo livro “O Médico Doente”), fica ruim, há chance maior de cura do que alguém que depende do SUS.Com o conhecimento técnico que temos hoje, não é possível erradicar doenças como a malária e a febre amarela. Além disso, a ocorrência dessas moléstias é mais intensa em regiões de fronteira agrícola, no contato do ser humano com áreas preservadas. E o Terceiro Mundo ainda tem muita floresta para ser vítima da motosserra e da ganância. Se bem que, no ritmo que andam as coisas, em breve talvez não haja mais floresta para contar história. Se isso acontecer, também não teremos que nos preocupar com mosquitos.

Aliás, com nada mais, porque o planeta terá se transformado numa caldeira quente e a vida como conhecemos ido para o beleléu.Mas se não é possível erradicar, há ações importantes para controlá-la. Tanto do ponto de vista de prevenção, quanto do tratamento e de informação à sociedade. Todas as mortes são tristes e devem ser pranteadas, mas que elas sirvam para lembrar que as classes altas jogam assuntos (principalmente os que interessam aos mais pobres) para baixo do tapete. Como, por exemplo, o fato que parte da população vive no século 21 da medicina, enquanto outros ainda engatinham pela Idade Média das filas em hospitais, dos remédios inacessíveis, da falta de saneamento básico e da inexistência de ações preventivas.